Biiro Biiro

Até 2011 poucas pessoas haviam ouvido falar sobre a Kirin no Brasil. Conheciam a empresa os apreciadores de cervejas especiais, importadas – fenômeno recente que ganhou muitos adeptos brasileiros nos últimos anos – ou pessoas ligadas ao mercado de bebidas.

Hoje, após a cervejaria japonesa ter recentemente adquirido 100% do Grupo Schincariol e ter mudado o nome de tão tradicional grupo para Brasil Kirin, este nome já soa com mais familiaridade para nós brasileiros.

A Kirin Brewery Co foi fundada em 1907, mas desde 1885 a biiro (cerveja em japonês) Kirin já era produzida pela cervejaria Japan Co, que tinha entre seus acionistas o presidente da Mistubishi à época. Desde então a Kirin tem expandido seus negócios, adquirindo cervejarias ou comprando participação acionária, como são os casos das cervejarias San Miguel (filipina) e da australiana Lion Nathan. 

Hoje já é a 6ª maior cervejaria do mundo, somente atrás de ABInbev, da britânica SabMiller, da holandesa Heineken, da dinamarquesa Carlsberg e da chinesa China Resources Brewery.

Kirin é o nome da criatura mitológica chinesa presente na logomarca da cerveja e que simboliza serenidade e prosperidade. Na China, pronuncia-se Qilin. Após a Dinastia Ming (1368-1644), quando foram trazidas à China animais “exóticos” da África, Kirin ou Qilin, também passou a denominar girafa, pela semelhança na sua descrição, tanto na China, no Japão e na Coréia.

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No início de 2010, a Exxmartt criou o Programa de Visitas Mundo Schin e o gerenciou por 2 anos. O Mundo Schin, sob a gestão Exxmartt, recebeu cerca de 18 mil pessoas em 2 anos. À época, o programa foi concebido para que o visitante tivesse uma experiência sensorial, envolvendo os 5 sentidos. VER os processos produtivos in loco, sentir o AROMA do malte típico de uma cervejaria, TOCAR alguns dos ingredientes, como o gritz de milho e a própria cevada maltada, OUVIR o barulho das máquinas e DEGUSTAR os produtos, no caso o chopp Schin e Munich e também os refrigerantes Schin e outros bebidas não alcoólicas, como por exemplo a tradicional Itubaína.

Visitar o Kirin Beer Village – fábrica da Kirin em Yokohama onde há um programa de visitas – e também a fábrica da Budweiser (que trataremos num próximo post),portanto, eram  destinos mais que certos nesta nossa missão à Ásia. Assim como foi muito importante a visita que fizemos, em dezembro de 2011 em nossa missão de benchmarking na Europa, à Heineken Experience.

Marcamos nossa visita à Kirin Village pelo site para um domingo às 11h. De Tóquio, leva-se por volta de 30 minutos de trem e metrô e mais uns 15 de caminhada. Caminhada que certamente não será esquecida. Fazia muito frio e o vento gelado cortava o rosto.

De longe avistamos o letreiro Kirin Beer Village e já no jardim da fábrica, que estava em reforma, encontramos tapumes com fotos e ilustrações do local no início do século XX e sua evolução no tempo.

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Ao entrarmos na recepção, fomos recebidos por uma das recepcionistas que, ao costume japonês, saiu de trás do balcão, antecipando-se a nós e perguntando, em inglês, nosso nome. Pediu que aguardássemos um pouco naquele local que logo a visita começaria.

A recepção era ampla e possuía cerca de 70 cadeiras de espera. Painéis com garrafas de cerveja gigantes para serem utilizados como fundo de foto compunham o cenário, juntamente com uma prateleira com produtos da empresa, que além de cerveja fabrica não alcoólicos. Enquanto aguardávamos, um ônibus com turistas japoneses estacionou e logo a recepção estava tomada por eles, nos deixando em minoria absoluta.

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Como no agendamento nos perguntaram nossa origem, fomos recebidos na fábrica por uma recepcionista bilíngue, e nas informações oficiais na internet constava no item foreign language support: English, Chinese and Korean (pamphlet), imaginamos que nossa visita seria em inglês. Entretanto, fomos encaixados no grupo dos japoneses, o que não nos permitiu uma exata compreensão do conteúdo passado durante o tour. Confesso que fiquei bem decepcionado.

Logo após a monitora reunir o grupo, iniciamos a visita por um corredor onde efeitos sonoros e visuais imergiam o grupo num barril de cerveja, única intervenção mais sensorial da visita.

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Nossa primeira parada foi para assistir ao vídeo institucional da empresa, que apesar de não termos entendido o conteúdo, nos pareceu muito bem feito e tinha duração de 4 a 5 minutos.

Seguimos pelo corredor e lá estavam expostas em vasilhames as matérias primas da cerveja: cevada maltada, lúpulo e água. Os dois primeiros podiam ser manuseados e degustados. Sobre cada um dos recipientes, fotos, mapa identificando a origem e breve explicação sobre sua participação na composição da cerveja.

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Mais uma parada e nos chamou a atenção que a monitora não possuía equipamento de som volante e sim, a cada ponto de parada, ela utilizava os equipamentos que ficavam num lugar fixo: microfone com alto-falantes e painel de controle para que pudesse selecionar os vídeos que seriam exibidos nos monitores de TV.
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Andamos mais um pouco e chegamos a um ponto do corredor onde havia grandes janelas com vista para as áreas produtivas, que estavam paradas talvez por ser um domingo. Mas isso não foi um problema, pois em cada etapa da produção por onde passávamos eram exibidos esquemas e vídeos, sempre complementados por uma fala da monitora.

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Ficou nítido para nós que os vídeos e animações, bem como a identificação visual do programa já tinham certa idade. Apesar de bem conservados denunciavam que as ferramentas do programa de visitas não sofriam atualização há algum tempo.

Após passarmos pelos processos produtivos e fabris chegamos a um pequeno memorial onde conta-se com certo detalhamento a história da Kirin. No espaço, linhas do tempo misturavam-se com objetos antigos utilizados pela família fundadora, bem como uma réplica de um antigo caminhão da empresa.

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A sustentabilidade também estava presente nesse espaço, painéis com imagens e explicações não só dos projetos ambientais, como também da evolução das garrafas que diminuíram sua espessura sobremaneira, sem perder a resistência, e por consequência impactam menos o meio ambiente.

Outro assunto que não foi e, na minha opinião, nunca deve ser esquecido é o Marketing. Linha do tempo de embalagens e as últimas peças publicitárias estavam presentes na visita.E claro, não podia faltar um boneco do garoto propaganda da Kirin, que já conhecíamos dos cartazes do metrô e outdoores espalhados na cidade e, que carinhosamente, apelidamos de “baixinho” da Kirin.

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Ao final da visita, chegamos a um grande salão, sem nenhuma ambientação e exposição da marca, onde havia 3 chopeiras e uma máquina de refrigerante e também, uma pequena loja de souvenirs. Ali, a monitora deu sua última explicação: como servir cerveja num copo, enfatizando como deixar 5 centímetros de espuma acima da boca do copo sem derramá-la.

Após a explicação, ela nos convidou a degustar 3 vezes (cerveja ou refrigerante) e nos deu 20 minutos e um (e somente um, pedimos mais mas não ganhamos) saquinho de salgadinho tipo Pretzel, da marca Kirin.

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Aproveitamos nosso tempo para apreciar as cervejas. Eram duas, uma Pilsner, clara e uma Schwarzbier, escura (ambas leves e Lager). Elas deviam ser provadas numa ordem exata, que ao tentarmos mudar (por não sabermos de tal sequência lógica) fomos corrigidos de uma forma, digamos assim, ríspida.

Sobraram alguns minutos e fomos conhecer os produtos da lojinha, que era bem simples e sem muitos produtos com a marca. Não conseguimos comprar nem mesmo um apetrecho para nossa cozinha para compor a prateleira das cervejarias ou uma camiseta bacana. Ali também entendemos o porque não nos deixaram comer mais um saquinho dos pretzels Kirin. Eles estavam, aos montes, à venda na lojinha.

Terminados os 20 minutos, deixamos o espaço e percorremos, até o portão de saída, um belo jardim onde encontramos um bar, aberto ao público em geral, com cervejas Kirin e também, o que chamou nossa atenção, outras cervejas de microcervejarias locais. Depois pesquisamos e entendemos que Yokohama teve a primeira cervejaria no Japão, em 1869. Hoje possui algumas microcervejarias importantes como Yokohama Beer e um festival de cervejas anual.

O cardápio do restaurante incluía receitas a base de cerveja. Mas, infelizmente, como tínhamos outra visita agendada, deixamos o local sem consumirmos nada.

 

Gustavo Youssef

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